Reflexões

Sexta era dia de pegar a estrada para dar aula em Jaraguá do Sul. Eu estava com o coração apertado pois sabia que não conseguiria acompanhar o jogo, pelo menos boa parte dele não. Antes que embarcar, fiz minha visita habitual a Capela que existe dentro do campus da Católica em Joinville (meu lugar preferido na instituição inclusive) e dentro minha conversa rotineira com Deus pedi que protegesse meus meninos, pois sabia que depois de duas boas partidas (uma em que inclusive quase vencemos o todo poderoso Flamengo) todos os olhares estariam voltados para nossa equipe e não queria que isso se tornasse um fardo e acabasse por interferir no desempenho da equipe.

Estou esperançosa e me dei ao luxo de comemorar após o término desse jogo. Fora 3 partidas exaustivas e em cada uma delas demonstramos evolução, mesmo com a sequencia de jogos tendo apenas um dia de intervalo entre cada uma delas. Não sei se alguém comentou isso nas transmissões de quarta e sexta, mas houve um adversário que utilizou isso como argumento para não fazer um bom jogo, se tinha alguém que poderia fazê-lo seríamos nós, porém tivemos um postura irretocável de usar toda a nossa força para fazer e fazer bem feito. Tenho os pés no chão e a mente consciente de que teremos várias dificuldades pelo caminho e acredito que é assim que devemos agir, com humildade, conhecendo nossos pontos fortes para aprimorá-los, tendo consciência dos pontos fracos para trabalha-los a exaustão, mas principalmente tendo confiança em quem vocês são, cada um de vocês enquanto atleta e enquanto equipe.

Estou orgulhosa demais, porque mesmo que não tenha expressado anteriormente como me sentia em relação as minhas percepções sobre o que ocorria nos jogos na última temporada, cansei de dizer a mim mesma que sentia que faltava algo em vocês e essa semana, na entrevista que o prof. Daniel concedeu ao Replay Joinville ele respondeu minha pergunta: faltava-lhes confiança. A insegurança abraçava-os de tal maneira que paralisava, era incapacitante, lhes tirava o chão, as certezas e tudo que lhes era conhecido, incluído sua própria capacidade enquanto indivíduos e enquanto equipe. Agora, após a analise técnica por parte do prof. Daniel me sinto confortável de falar sobre isso, porque podia ser apenas uma percepção minha e estava muito longe para fazer “diagnóstico”. Afinal o que eu entendo de basquete? Só sei ficar gritando na torcida…

Não há certezas de que isso não pode ocorrer novamente, teremos momentos bons e outros nem tanto, por isso pé no chão, cabeça focada, corpo firme, coração tranquilo, fé em Deus, em si e no grupo que tudo vai dar certo. Amanhã temos estreia em casa e eu não estarei fisicamente com vocês, mas meu pensamento, coração e orações estarão, como ao longo dessa “temporada” no Rio de Janeiro. Confesso, coração está partido, mas nem sempre se pode ter o que se deseja. O NBB começou cedo demais e me pegou no meio do semestre letivo, com praticamente todos os jogos em casa ocorrendo em dias úteis, ou seja, sem NBB ao vivo para a pessoinha aqui. Então, como foram nas 3 partidas fora, serei torturada pela estatística da Liga e tentarei entender como as coisas estão ocorrendo.

Estando ou não em quadra, uma certeza eu tenho: você farão o melhor. Vocês são uma equipe fantástica, entrosada, capaz, audaciosa e tem muita gente não sabendo lidar com essa boa fase (desejamos que continuem não sabendo). Aliás, esse 3 jogos não foram uma fase não, foram uma amostra grátis da capacidade que habita seus corações e que só precisavam de um puxão para vir aqui para fora e nos presentear com esse basquete de alto nível. Eu sei que isso que vocês mostraram até aqui é o que vocês realmente são, então fiquem firme para a próxima batalha será infernal. Pinheiros faz parte da nosso história, afinal foi nosso algoz por duas quartas de final, então, boas recordações não temos, entretanto temos a oportunidade de construir uma nova história e tenho certeza que vocês a iniciarão hoje.

Antes de encerrar, queria pontuar algo que me ocorreu esta tarde quando fuçava os estories do instagram. Vi uma postagem do Felipe sobre o retorno para casa que pelas minhas contas ocorreu ontem a tarde. Primeiro veio a sensação de alívio por saber que estavam de volta à cidade e às suas casas, mas depois fiquei intrigada, não sei se estou certa, mas desconfio que a equipe viajou de ônibus. Dado o baixo orçamento acredito que isso seja real, porém alguém parou para pensar quanto tempo leva uma viagem até o Rio? Às vezes que fui de ônibus foram 17 horas. Então vamos parar e analisar a situação: mesmo com tanto tempo de estrada, desgastados pela viagem ele realizaram aquelas 3 partidas sensacionais? Sorte que não é né minha gente, é trabalho, é compromisso, é a verdade de cada um refletindo na quadra e isso só aumenta meu orgulho e meu respeito por esses garotos.

O interessante é que teve adversário que nos enfrentou atribuindo a viagens e jogos fora o seu desempenho aquém. Me poupe que os camaradas com certeza foram de avião, bem confortávelzinhos e não tem humildade para aceitar que jogamos melhor. Eles podem até ter vencido, mas não mereceram, isso sim eu chamaria de sorte. A verdade é uma só: somos um time de superação realmente e continuaremos sendo, enfrentando preconceito, orçamento, descrédito, gente torcendo o nariz, porque aqui somos uma família que quer o bem uns dos outros e quer ir mais longe. Por ora o longe é garantir-se no próximo NBB? Tudo bem, vamos correr atrás disso. Se der para ir mais longe e nos classificarmos para os playoffs? Sensacional. Só precisamos dar um passo de cada vez, com firmeza e determinação. O que é nosso já está reservado, cabe a nós irmos lá buscar.

Enfim, quero mais uma vez parabeniza-los pelos excelentes jogos e também desejar-lhe um bom descanso e um excelente dia amanhã. Fiquem bem, fiquem calmos e confiem. Peço também para Deus de as palavras certas para cada momento ao prof. Daniel, para que ele possa conduzir a equipe com maestria e convicção de que podemos dar mais uma passo.

BOA SORTE!

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