NBB – Flamengo 76 x 75 Joinville

(Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Amo o basquete, mas às vezes ele é ingrato e injusto porque nem sempre quem foi melhor em quadra é quem sai com a vitória e isso é muito triste, em especial hoje, porque sim meus garotos, vocês foram gigantes e estou absolutamente orgulhosa e convencida de que temos muito a mostrar e que estamos apenas começando. Todo mundo sabia que seria difícil, o que ninguém acreditava era na nossa coragem de fazer o que fizemos. 

Para mim, não será o resultado o mais importante hoje e sim a raça, a demonstração de força, o não se intimidar pela camisa e o basquete bonito e bem jogado que vocês apresentaram. Esta noite os vitoriosos foram vocês sim, porque o adversário tinha a obrigação de vencer por todos os pontos nos quais eles são superiores a nós e porque eles só precisam se preocupar com jogar, agora vocês não e mesmo diante das dificuldades, vocês foram lá e mandaram no jogo, na casa do adversário e na frente da torcida deles.  

Então, foi só um ponto, sim e foi só um resultado desagradável que pode ser muito bom, se soubermos utilizá-lo com sabedoria. Às vezes coisas ruins acontecem para nos ensinar algo, então só talvez exista algo nesse um ponto que esteja nos mandando um recado, que esteja nos dizendo que talvez agora o melhor não fosse vencer, porque o verdadeiro sabor da vitória vem da caminhada e nossas pernas são curtas então, talvez esse passo fosse longo demais para a gente. 

Quando a bola subiu e Mathias meteu aquele gancho de média distância para abrir o placar, o vi disputando espaço com Varejão e na sequencia abrimos 7 pontos de frente eu fiquei assustada e ao mesmo tempo fascinada, em choque, mas um choque bom. Tinha explosão, velocidade, trabalho de bola dentro da quadra e uma linda e intensa vibração fora dela, vinda do banco. Deixamos o adversário tonto, tanto que até 3:18 o placar era de 6 x 19 a nosso favor. Foi nesse momento que nossa produção caiu e o oponente tentou reagir, sem sucesso, nossa defesa continuava funcionando e muito bem, não tinha bola perdida, brigamos por todas, mesmo que sem sucesso. Nos minutos finais haviam cortado nossa vantagem para 7 pontos, só que não contavam com a cesta surreal no zerar do cronômetro de Felipe, do meio da quadra ele converteu uma cesta que devia valer 5 pontos (poderíamos mudar a regra né, afinal não é sempre que isso acontece) nos levando a expressivos 10 pontos de frente. Os pontos fortes foram especialmente o jogo coletivo, a calma, a decisiva defesa e o excelente volume de rebotes (13) e as recuperações de bola (4). Parcial 12 x 22 

Retornamos para o 2º quarto consistente e mantendo a vantagem, conscientes de que a qualquer momento o adversário poderia reagir, e que nossa grande chance era manter a cabeça no lugar e aproveitar seus erros ampliando a vantagem. Não me recordo de na história de confrontos termos aberto uma vantagem tão expressiva, preciso procurar a respeito, eram 14 pontos de frente, restando 6:06 minutos para o encerramento do período.  

A desenvoltura da equipe estava fantástica, eram as peças certas, nos lugares certo, no momento certo, esse parecia definitivamente ser o diferencial, todos que entravam contribuíam de alguma forma, afinal todo mundo sabe que jogador bom não apenas o que pontua, não é mesmo? Basquete é feito de marcação, de coletivo, de visão e nada disso se faz sozinho, para ser bem sucedido precisa ser bem trabalho. Nosso jogo estava leve, solto, bonito , tinha todos os ingredientes de uma grande equipe.  

O volume de jogo no segundo quarto foi fantástico e a parcial isolada mostra uma leve vantagem do oponente. O aproveitamento das duas equipes no período ficou levemente acima de 50%, com a nossa equipe levando ligeira vantagem. Quem comandou o quarto foi Jeronimo espetacular embaixo do garrafão, e Lucas com a mão calibrada para bolas de 3, assim como Bambu também. O quarto foi muito equilibrado e intenso, mas nos mantivemos na frente durante todo o tempo. Parcial de 38 x 47. 

O retorno do intervalo para mim é sempre muito tenso, porque é uma oportunidade que o adversário tem de se corrigir. Cientes da força física e ofensiva que eles tem deles, segurar uma reação seria uma missão super delicada para não dizer perigosa. e barrar isso é difícil, Porém não impossível, precisa de força, coragem, perseverança e muita, mas muita confiança e foi o que a equipe lutou ao máximo para realizar, mas parecia que aquele quarto definitivamente não estava ao nosso lado. A postura do Flamengo mudou drasticamente, como é da natureza deles e vimos ataque a ataque nossa preciosa vantagem foi sendo superada. Passamos tempo demais sem pontar e vimos aquele que aplicamos neles se voltar contra nós.  

Confesso que fui “morrendo” aos poucos conforme a vantagem diminui e entristeci pois sabia que aquela não era a equipe que tinha entrado em quadra nos 2 primeiros quartos e eu a queria de volta, mesmo sabendo que seria impossível, pois nosso adversário, como havia previsto não era mais o mesmo, então para nos mantermos vivos nós precisávamos nos reinventar, mesmo que naquele momento a situação adversa desse a impressão que havíamos perdido a confiança, a calma e o caminho das cestas. Porém, ao contrário do que o adversário imaginava, reagimos e mesmo indisponíveis no ataque, nossa defesa voltou a se firmar. E a breve vantagem conquistada por eles consolidou-se em apenas 2 pontos. Estávamos muito vivos e presentes. Parcial 60 x 58. 

Com 2 lances livres Jefferson empatou a partida logo no início do quarto, que seguiu pegada, com briga ponto a ponto e alternância no placar. Era impossível definir o que iria acontecer. Com pouco mais de 3 minutos Felipe meteu uma bola de 3 e virou o placar a nosso favor, seguimos a frente, sendo seguidos de perto pelo oponente, porém seguimos buscando ampliar a vantagem, que só superou os 4 pontos após Willian sofrer falta e converter os 2 lances livres. Não satisfeito, nos segundo finais o Flamengo conseguiu aproveitar dos ataques e virar a partida, deixando sob nossa responsabilidade decidir.  

Foram os 4 segundos mais longos da minha vida, que infelizmente não terminaram da maneira que eu gostaria, da maneira como eu achava justa que tivesse terminado. Com a posse de bola, parecia simples fazer a cesta e coroar a brilhante partida realizada pela equipe, mas caprichosamente, quis o destino que a bola não encontrasse a redinha e então o cronômetro zerou. Veio o nó na garganta, a incredulidade, mas não vieram as lágrimas, porque no final não importou o resultado, mas o que tínhamos acabado de fazer.  

Eu vi uma equipe aguerrida, fiel a seus propósitos, íntegra, unida, disciplinada, trabalhando a bola, na maioria das vezes com calma, priorizando o coletivo ao individual, infiltrando, sem se intimidar, com coragem, com força, o que mais eu poderia querer? A vitória! Sim, eu a queria, mas não pela que ela podia nos oferecer no transcurso do campeonato, mas porque especialmente está noite ela merecia ser nossa, mesmo que tudo esteja direcionado a quem ganho, o verdadeiro protagonista foram vocês, valentes, bravos, espetaculares, que merecem toda a nossa reverência. 

Eu sei, que no final a história coroa o vitorioso, mas eu tenho certeza, eles nunca vão esquecer do dia em que acharam que teriam mais um jogo tranquilo e quase perderam a invencibilidade dentro do próprio quintal. E essa história também é nossa, tudo depende de como continuaremos a escrevendo e como olharemos para tudo que realizamos hoje. A forma como conduziremos nossa história definirá nosso crescimento e nossas conquistas, creiam nisso e sigam firmes nesse propósito, vai valer a pena, mesmo que às vezes o sabor seja amargo. Não dizem que os melhores e mais eficientes remédios são os de gosto ruim? Agora é amargo, mas logo será doce! 

Bravos e amados guerreiros, amanhã é um novo dia, creiam que o Sol irá sorrir para vocês (piadinha infame aqui tá chovendo pacas) e que tudo isso foi apenas um degrau a ser superado que os levará a algo maior e melhor. Sigam firmes na luta e na busca de alcançar aquilo que lhes foi objetivado. E lembrem-se todo campeão já foi derrotado, porque são as derrotas que criam campeões. Tenham uma boa noite e nos vemos na sexta!

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