Orgulhosa

Meu coração já estava disparado antes da bola subir. Primeiro com a notícia de que Jefferson também não jogaria, fiquei arrasada. Depois porque foi uma oportunidade de encontrar pessoas que fizeram parte da história de nosso basquete em outras épocas e apesar de hoje emprestar seu talento ao adversário, foi um prazer reencontrar Diego Falcão, preparador físico que junto com o prof. José Neto esteve por aqui em nossa mais expressiva campanha no NBB até agora. Foi uma imensa alegria que o vi caminhando em nossa direção para nos cumprimentar, isso não tem preço, é uma sensação de continuar sendo uma referência de torcedor na cidade e isso provoca um sentimento muito bom. Sempre guardo com carinho as pessoas que contribuíram para nosso basquete crescer e é sempre bom saber que essas pessoas continuam fazendo o bem pelo basquete, mesmo em outras bandas. Foi incrível ser lembrada, mesmo depois de tanto tempo.

Mas o grande momento da noite foi ainda no pré jogo, quando os garotos entraram na quadra cumprimentando a torcida, de repente notei o prof. George aproximou-se de mim, caminhando em minha direção. Me cumprimentando disse algumas palavras que ainda povoam meus pensamento, foi com certeza o momento mais incrível para mim nessa temporada, meus olhos ficaram cheios de lágrimas e agora mesmo, lembrando daquele breve momento me emocionam novamente.

É, com certeza, hoje tinha tudo para ser uma grande noite e foi. Passei o dia pensando em nossos garotos, tanto que perto do almoço fui obrigada a escrever uma mensagem para eles, porque a ansiedade estava me consumindo. E quanto mais a hora se aproximava mais tensa eu ficava, queria estar logo no Centreventos, queria estar logo junto deles. Foi uma correria para chegar em casa, jantar e trocar de roupa, mas as 18:30h estávamos no destino e olha, desde a época do Ivan Rodrigues que não “madrugamos” deste jeito, até fila para entrar pegamos.

Já devidamente instalada, fiquei observando nosso adversário e observando nossos garotos, eu via a disparidade, a evidente força e vigor físico do adversário poderia ser assustadora, mas ainda assim eu estava tranquila, a dificuldade que encontraríamos nesse jogo era lógica, mas eu acreditei fielmente na força do grupo, mas principalmente na força da superação, porque não é fácil enfrentar tantas baixas e mudanças da maneira como tem ocorrido conosco. Além do mais sabia que mesmo sem o resultado positivo seriamos vitoriosos, pois afinal de contas estamos aonde vários queriam estar e não chegaram.

Quando a bola subiu, sabia que nossa equipe estava pronta para fazer o que fosse necessário e fez. Marcou, se ajudou, se multiplicou e lutou, lutou muito. Foi incansável, guerreira. Provocou muitos erros no adversário e os fez errar um bocado de vezes. Os ânimos ficaram exaltados, algumas marcações dúbias ocorreram como já é de praxe, mas apesar disso na maioria dos casos conseguimos manter a calma e seguir adiante, mostrando calma e foco.

Essa noite nós tivemos mais do que uma equipe em quadra, tivemos vários corações batendo num mesmo ritmo, vários braços e pernas movendo-se em harmonia, como que coreografados, como se fossem um. Eu vi jogo coletivo, eu vi companherismo. E eu estou muito, mas muito orgulhosa. E também muito feliz. Mesmo com um resultado desfavorável imprimimos nossa marca no jogo, foi o jogo da superação. Minha maior alegria foram as oportunidades que o prof George deu para Willian e Dieguinho e os meninos não decepcionaram, ergueram a cabeça e deram show, foi espetacular.

Então, digam o que quiser, mas para mim não foi o resultado que definiu quem foi o vitorioso desta noite, foi a garra, o empenho e a união. Nosso adversário tinha obrigação de vencer, a cobrança sobre eles era muito maior e sim, o “todo poderoso” Rubro Negro sentiu a pressão, mesmo com torcida a favor, mesmo cheio de estrelas e uma arrogância que pode ser sentida a distância. Vencê-los seria um feito consagrador, mas diante de tantas ausências e do esgotamento, não sei se conseguiríamos segurar uma vantagem, entendo que uma derrota para o vice-líder e maior campeão da competição com uma frente de 10 pontos foi um excelente resultado e digo isso pelo simples fato de existir coisas que os números não mostram, como o jogo coletivo, o companherismo, a sintonia e principalmente a superação.

Minha meta pessoal para essa partida era dar trabalho, mas muito trabalho para o adversário e isso nós fizemos com excelência e sairmos de quadra com uma desvantagem menor do que 10 pontos. E não é que aconteceu? Fizemos um jogo muito, ma muito equilibrado, no final da partida é que abriram uma vantagem mais expressiva, que mesmo com toda nossa exaustão e sacrifício ainda reduzimos para 10 pontos. Então não há o que lamentar, apenas olhar para frente e perceber do que somos capazes. O melhor da noite foi que vivi para ver Marcelino Machado desesperado, e sem saber o que fazer (eu tive uma visão privilegiada de sua fisionomia durante o jogo e foi sensacional). Meu desejo é que esse jogo tenha sido o maior incentivo para continuar nessa pegada, já mostrou que é possível e do que somos capazes, precisamos continuar acreditando nisso, ainda dá tempo, ainda temos uma longa estrada e podemos sim alcançar o objetivo planejado e ficar entre os 12. Se continuarmos assim eu afirmo: Nós vamos nos classificar entre os 12!

Se existe uma palavra que define esta noite para mim é orgulho! Orgulho pelo que mostraram, pelo que são capazes, por tanta coisa boa que há dentro de vocês. Então, não se abalem, era um resultado esperado, tirem dessa partida apenas o que há de bom, concentrem-se em lembrar desse jogo e que essa atuação seja o padrão a ser perseguido e reproduzido. Vocês são meus heróis, todos vocês, então sintam-se vitoriosos e satisfeitos. Virem a página que amanhã a luta recomeça e uma nova história precisa ser contada.

Bom descanso e fiquem com Deus.

ps.: O resumo da partida lance a lance vai precisar esperar um pouco, até a Liga devolver a estatística da partida, se devolver… apesar de querer escrever, tô cansadona, torcer também cansa tá!

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