Ser equipe!

Se tem uma coisa nessa vida que me move é paixão, foi ela que me trouxe até o basquete, até esse universo incrível que é esse esporte. Basquete é um esporte fascinante, emocionante e não consigo imaginar algo mais relevante e construtivo para uma vida do que este esporte, entre todos, para mim ele sempre será o que provocará os melhores sentimentos e alicerçará vidas.

Esta tarde o basquete me lembrou dessa paixão através de um filme, seu nome: Time dos Sonhos, é baseado em uma história real de um time feminino de uma universidade católica praticamente falida que vence o campeonato nacional, recomendo. Ele me fez lembrar porque amo esse esporte e me fez lembrar do que importa nele, me fez lembrar que acima do esporte o que mais amo são as pessoas e desta maneira, o filme me fez lembrar o quanto tenho pecado em não dizer aos nossos garotos o que passa em minha cabeça, mesmo que para eles isso não faço a menor diferença. Preciso sentir outra vez que ao menos tentei, que fiz a minha parte.

Uma coisa que o filme resgatou dentro de mim foi o quanto sempre presei o espírito de equipe. Joinville tem por tradição elevar esse senso, jogando coletivamente, errando e acertando, mas juntos, se esforçando, se cobrando, mas principalmente se ajudando, porque o que é realmente necessário é que cada um cuide do outro, porque uma equipe, assim como uma família deve permanecer unida em todos os momentos e se apoiar. E mais do que isso, Joinville sempre teve em sua torcida o 6º homem que entrava em quadra nos momentos bons, mas estava ainda mais presente nos não tão bons assim.

Desacreditados, foi assim que começamos a Liga Ouro e aos trancos e barrancos encontramos nosso jogo e chegamos ao NBB, voltamos a Liga que ajudamos a criar e consolidar, voltamos para um lugar do qual nunca deveríamos ter saído, que era nosso por direito como melhor equipe do Sul do País, a mais tradicional e a mais humana. A verdade é que não entendo nada do esporte, mal sei torcer, mas entendo de gente, entendo de sentimentos e são eles que me movem na direção de vocês.

Definimos um objetivo no início do campeonato, um objetivo modesto, mas possível, considerando nosso orçamento, nossa estrutura e nossa necessidade de recomeçar. Porém no caminho às vezes por ansiedade, despreparo ou até imaturidade, nos distanciamos dele e tudo por quê? Simplesmente porque na ânsia de querer resolver, de fazer o melhor nos perdemos, nos perdemos de nós mesmos, de nosso jogo e do nosso senso de equipe e sim, vamos ser realistas, estamos pecando e pecando muito em coisas básicas que tenho certeza vocês estão cansados de fazer e treinar incansavelmente.

Aonde está o problema então? Lamento, mas está dentro de cada um de nós. A urgência, a ansiedade tem nos cegado e nos impedido de fazer o que sabemos fazer tão bem, sim sabemos e muito bem, que é jogar basquete. Demos trabalho para muitas equipes, os deixamos nervosos, inquietos, fizemos com que cometessem erros, perdessem a bola, a concentração e às vezes até a cabeça, mas tudo isso, jogando o velho e bom basquete, mostrando que temos sim qualidade, elenco e folego.

Por outro lado, muitas vezes perdemos para nós mesmos, sim meus caros, muitas vezes entregamos o resultado de bandeja e permitimos que equipes que não mereciam nos vencer levassem a melhor e com isso amargamos derrotas que infelizmente tem nos custado caro. Sim, somos humanos, e humanos cometem erros, perdem a concentração, se desestabilizam, é compreensível e sim, não estou falando da boca para fora, estou dizendo que eu entendo, porque me coloco no lugar, eu mesma já perdi a cabeça em quadra, como posso esperar que não ocorra com vocês? Impossível, porque o basquete é assim, ágil, quente, pegado, nervoso, desperta todo tipo de sentimento dentro da gente, que entra em ebulição e nos consome.

Com tudo isso, o que quero trazer a reflexão é a necessidade que repensar. O returno começou a pouco, ainda temos muitas oportunidades, cada jogo, dentro ou fora de casa é uma final, é decisivo e precisamos focar nisso, mas com confiança, com equilíbrio e principalmente com união, afinal basquete é um esporte coletivo e é justamente isso que faz pulsar o sangue nas veias e acelera o coração. E assim como os problemas, as soluções também estão dentro de vocês. É nossa responsabilidade decidir o que fazemos com o que temos dentro de nós e eu desejo que vocês façam o melhor com tudo de bom que habita seus corações e suas mentes. Vocês tem a força, a pureza, a determinação, o brilho no olho e a garra de quem quer fazer o melhor, às vezes só precisam lembrar que está tudo em vocês.

Garotos, eu sofro sempre que o resultado é desfavorável, mas não por mim, não pela classificação, mas por vocês, pelo que isso pode provocar em vocês, em sua confiança, em seu desempenho e eu não suporto a ideia de que vocês parem de acreditar em vocês mesmos. Vencedores são aqueles que mesmo caídos buscam forças para se reerguer, que enxergam em cada derrota uma oportunidade de se fortalecer e eu sei que vocês tem passado por muita coisa, a ausência do Lucas Vezaro e do Max é uma delas. É nítido e é frustrante concluir que quando os frutos estavam começando a parecer as lesões aconteceram. Porém sabemos que isso é risco do ofício e por mais doloroso que seja impõe uma necessidade e uma urgência de se reinventar, de começar outra vez e nem sempre isso é tão rápido quanto se desejaria.

Eu queria que vocês soubessem que tenho consciência que estou menos presente do que deveria ou que gostaria e me envergonho disso, mesmo sabendo que a geração de vocês não estabeleceu esse vínculo com as minhas palavras. Ainda assim, estou aqui para dizer que me importo, que quero o melhor para você e que acredito e confio em cada um de vocês. E essa mensagem não é para o jogo de terça, ou de quinta, é para tudo que ainda tem para ocorrer nessa temporada, mas principalmente para a vida de cada um, independente do caminho que cada um for seguir ao longo de suas jornadas no esporte. Quem já passou por aqui sabe e pode confirmar que meu carinho e admiração é irrestrito e vai acompanhar cada um aonde quer que estiverem.

Eu me importo, me preocupo e amo cada um de vocês, de todo meu coração, porque o simples fato de vocês estarem aqui, defendendo nossas cores, me lembra de que posso e devo ser melhor a cada dia, por vocês eu me supero, me reinvento, me transformo, por vocês eu escrevo textão, mesmo que ninguém leia, mesmo que não faça diferença para ninguém, porque o amor é meu e eu decidi fazer algo com ele.

Decidi oferecê-lo a vocês para lembrá-los de que não estão sozinhos e para lhes dizer que vocês estão fazendo tudo certo, só preciso fazer uns ajustes, que querer acertar e vencer não tem nada de errado, mas colocar isso acima do grupo e de si mesmo não funciona. Vocês só vão alcançar a vitória confiando e vencendo primeiramente a descrença, a instabilidade, o nervosismo, só assim vocês transformarão as preciosas e incríveis recuperações de bola nas quais vocês são fantásticos em arremessos certeiros.

A nossa defesa é consistente, mas precisa estar em alerta 110% porque é nessa hora que uma bola recuperada pode nos oferecer a vitória ou pode nos derrotar. O nosso ataque tem sido nosso “calcanhar de Aquiles” e infelizmente precisamos dele e então só queria lembrá-los dos extraordinários pontos que já fizemos ao longo da temporada quando trabalhamos a bola e preparamos o terreno para o arremesso mais equilibrado. E precisamos antes de tudo esquecer a arbitragem, deixa a que a torcida se encarregue deles, joguem e mostrem para esses safados que é possível vencer jogando com o coração e com a alma e que se a vitória não vier ao menos fizemos o nosso melhor.

Basquete é estratégia, é frieza, é união, e nas últimas partidas eu vi esses elementos presentes e vi o que eles podem fazer por nós em uma partida, a questão é que às vezes eles vão para o vestiário e não voltam com vocês. Estamos em um momento delicado da competição, mas eu sei que se vocês fizeram o seu melhor, como vocês já mostraram que são capazes o resultado fica mais próximo de se alcançado.

Enfim, queria dizer a cada um o seguinte: Dieguinho, Henrique e William, poucas foram as oportunidades em que vocês puderam entrar em quadra e contribuir, eu sei, mas acreditem vocês são fundamentais no banco para acalmar os colegas que vem da quadra e incentivar, acreditem um futuro brilhante aguarda cada um de vocês essa é a oportunidade de ir “criando casca” para tudo que a vida lhes reservar. Lucas Colimério, já mostrou que pode fazer a diferença, que tem presença em buscar rebotes e em arremessos, confie que sempre que você for chamado a quadra é porque se tem certeza de que está na hora de você brilhar. Jeronimo, você evoluiu muito desde que passou a primeira vez por aqui, então acredite mais em você, confiei que você pode, que você consegue, você tem força, tem postura, precisa apenas lembrar de olhar o jogo ao seu redor que tudo vai ficar bem. André Bambu, você é a experiência, a tranquilidade, a maturidade para trazer a garotada de volta para a realidade quando tudo parecer sair do controle e sei que a tarefa não é fácil porque como humanos lidar com emoções é complicado, mas tua presença e tua contribuição são fundamentais para o jogo fluir. Tiagão, você entre todos sabe que essa cidade respira basquete e sabe da minha admiração e carinho por você, nada me fez mais feliz quando você voltou a nos defender, você é a nossa rocha, nossa fortaleza, nossa muralha na defesa, meu desejo é que você a seja também para os garotos, levando-os com você a ter confiança e impor respeito. Felipe, você é decisivo, ímpar, é uma grande alegria ver como o tempo te transformou nesse jogador excepcional, tenho um orgulho enorme de ter te conhecido bem garoto e não esqueci que você gosta de bolo de brigadeiro, não permita que ninguém te desacredite porque você é muito importante e nesse momento te cabe jogar também pelo Lucas, teu irmão fantástico e que sabemos está fazendo muita falta, mas sei que você pode suprir a ausência dele. Jefferson, caramba como gosto do teu jogo, desde a liga ouro posso afirmar que liderança é algo que flui naturalmente de você e hoje percebo nitidamente quando você está em quadra que o jogo muda, o ritmo é diferente e por isso você é imprescindível, nem sempre um jogador precisa ser um grande pontuador para fazer a diferença, aquele que permite que alguém pontue também é essencial e você é esse cara. Johnson, tem qualidades e só precisa se encaixar, encontrar seu espaço que tudo vai dar certo e Stocks, bom passou de um rival indesejado, para um ídolo, é o cara que incendeia a quadra e o time, comanda o grupo muito bem, só precisa de um pouquinho mais de calma às vezes, você é um só e não pode resolver todos os problemas da partida sozinho. Biloca, ainda não tive oportunidade de ver jogar, mas sei e desejo que faça o seu melhor, acredito que não está aqui atoa e só por isso já tem meu respeito e minha torcida. E enfim Lucas e Max, é muito doloroso saber que vocês não estão em quadra, mas isso não significa que vocês não possam ajudar, afinal vocês fazem parte dessa equipe tanto quanto qualquer outro, e estar fora da quadra tem suas vantagens, como um olhar diferenciado de tudo que acontece que pode ser essencial em melhorias e correções no grupo. E finalmente prof George, aprendi a admirar e confiar no seu trabalho, sei que o desafio também é grande para você, sua missão de liderar e guiar esses jovens por esse longo e difícil caminho é uma árdua tarefa, mas que vem sendo desempenhada com maestria, desejo que não lhe falte calma e sabedoria para tomar as melhores decisões e para conduzir o grupo nas etapas que ainda faltam ser percorridas.

Desta forma, só posso pedir que Deus estava com cada um, que lhes dê confiança, tranquilidade e paz para que cada um possa dar o seu melhor. O resultado vai chegar, confiem, a vitória está dentro de vocês!

ps.: desculpa o textão!

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