Do começo…

Estou arrasada… sim, no chão, sem forças…

Não, não é por causa do jogo, sabia que seria duríssimo como foi, acreditava que poderíamos vencer, mas sabia que haviam mudanças demais na equipe para serem superadas e que “seus fantasmas” estariam rondando para não deixar ninguém esquecer o quanto isso os afeta, mas não, não quero falar do jogo ainda, não estou pronta.

Bem, então eis o gancho para a história de hoje. É gente, senta que lá vem história mesmo. Sexta-feira, dia chuvoso, temperatura amena, dia feliz, dia de basquete, bom, a ideia era essa, mas depois do dia infernal que tive no trabalho repensei. Desde o início  do ano não tivera um dia tão ruim e o que torna ele pior é ficar me reprimindo, não poder esbravejar, mandar tudo a merda, sair correndo, dar uma de doida e quando esfriar a cabeça voltar, simplesmente não posso, então minha esperança era o basquete.

Entretanto, por algum motivo meu entusiasmo se perdeu em alguma esquina e tudo ficou pior quando vi uns camaradas da torcida adversária ocupando meu lugar favorito. Talvez tenha sido só a preocupação com o carro, já que o controle não quis funcionar para acionar o alarme e tive que fechar na chave. Ou talvez fosse só o reflexo do dia tenso, mas a verdade é que talvez, pela primeira vez eu tenha entendido que nada, absolutamente nada será como antes e isso é difícil para mim assimilar.

Eu sei, quem me conhece de outros tempos vai perguntar: Cade todo aquele amor e saudade que ela dizia sentir? Cada a inspiração, as palavras, o incentivo? Já me perguntei isso diversas vezes e hoje entendi, não falta amor, na verdade é excesso e estou bloqueada porque entendi que não era o basquete o combustível, mas as pessoas e por isso, nada será como antes, nem eu.

Construi muros para me proteger durante a longa ausência do basquete em minha vida e achei que seria facil transpor isso tão logo vivessemos o que estamos vivendo, mas não é, perdi a mão, a coragem, o entusiasmo e não isso não tem nada a ver com a classificação no campeonato, ou as derrotas, tem a ver com a forma que eu gostaria de ter o basquete e a equipe na minha vida e não tenho. Tem a ver com ser importante, diferente e não sou, sou apenas mais uma entre tantos, só que um pouco mais maluca.

E porque resolvi escolher logo hoje para falar tudo isso? Porque foi o dia em que mais sofri desde que voltamos ao NBB, sofri e estou sofrendo pela triste constatação de que não sou ninguém e que tudo que eu já vivi ao lado do basquete não vai mais voltar e que não há uma nova história a ser construida, porque aquele momento passou, não sou e nem posso ser a garota do blog, porque hoje isso não tem mais graça, ninguém quer mais ficar lendo os relatos de uma lunática torcedora. E então enfim entendi que não adianta mais querer fazer as coisas pensando nos outros, no que vão pensar, em como vão se sentir, porque o blog já não é mais para os outros, ninguém se importa mais, o blog é só pra mim agora.

E tudo isso sabe por que? Por causa de uma droga de sorteio.

Há quase 10 anos eu torço, eu grito, eu sofro. Há quase 9 anos eu respiro basquete. Há quase 9 anos eu me apaixonei por ele e ele se tornou o centro da minha vida, meu porto seguro, minha fortaleza. Ele se tornou o meu melhor, a minha inspiração, meu universo. O tempo foi passando, as pessoas foram mudando tanto dentro quanto fora da quadra e eu continuei lá, firme e forte, às vezes mais empenhada, às vezes menos, mas ainda apaixonada e fiel. Da para contar algumas dezenas de pessoas que permaneceram por todo esse tempo e eu achava que fazer parte desse pequeno grupo era uma grande coisa, mas na verdade é só algo natural de quem gosta realmente de basquete, não é levado pelos modismos.

De tão importante que o basquete era para mim, virou romance. É, por essa vocês não esperavam. Existe sim uma história literária baseada nesse amor, que na época ficara grande demais para ficar só dentro do blog. Sim, no meu romance pude contar uma história, criar personagens, me divertir, brincar com esse universo esportivo, porque o basquete me dava o que eu precisava: inspiração.

Porém como tudo que começo e não termino, o romance, sem título, esta arquivado, cheio de pequenos trechos que nunca foram unificados. Uma história cheia de sonhos, com seu caminho traçado, mas sem tempo, disposição e inspiração para serem criadas e desenvolvidas. Por que resolvi falar dele agora? Porque o maldito sorteio me fez lembrar que não será dessa vez, nem nunca que vou viver aquela parte que faltava na minha história: a convivência!

Sim, eu sonho com isso a anos, realizei parcialmente momentos assim, mas eles nunca foram satisfatórios, porque eu sempre quis mais e quando a oportunidade apareceu, pensei: quem sabe é dessa vez! Mas não foi e não será porque talvez Deus ache que isso não é para mim, que não mereço ou que se tiver vou acabar mais magoada e chateada do que estou agora, que é melhor deixar como está. É, pensar assim me consola, em partes, porque ainda existe um lado meu que quer acreditar que eu merecia, mas cabe merecimento? Não, não cabe, porque não é um concurso de quem está a mais tempo na arquibancada, não é uma competição de quem sofre mais, ou já fez mais loucura, não, simplesmente sou igual a qualquer outro, não importa como cheguei até aqui, nem porque continuo, não sou a única, não sou especial.

O fato é que a importância dessa trajetória só existe para mim, quem esta aqui hoje não a conhece, não a presenciou, então não posso fazer exigências, nem achar que posso ser tratada de outra maneira que não a que sou tratada. Meu amor só pertence a mim e vai continuar sendo assim, então que esse momento seja uma libertação dos padrões e preocupações e um reencontro com a pessoa despretensiosa e reservada que eu era, que só se expunha escrevendo e vivia a sombra de um endereço eletrônico. Talvez assim eu fosse mais feliz e não sabia.

Não vou voltar a ser quem eu era, muita coisa aconteceu nesses anos e essas coisas me mudaram, mas quem sabe existe um jeito, no final de tudo, de eu me encontrar novamente com as palavras? Quem sabe não é mesm?o Para finalizar, lembro de hoje, durante o jogo minha mãe olhando meu caderninho de anotações e perguntando: – Esta escrevendo porque se você não publica mais? Boa pergunta, fica a reflexão…

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